A Caseína no Esporte e na Vida do Mortal Comum .

Por Marília Coutinho e Jaka

CASEÍNA: do latim “caseus”, queijo.

A trilogia protéica nessa segunda edição apresenta a caseína, uma das melhores fontes de proteína que os atletas de força podem usufruir. Apesar de ainda ser de baixo consumo em nosso país, a caseína nos EUA já é um grande concorrente do whey.

Naturalmente consumida através do leite e utilizada na produção de diversos derivados de leite, como os queijos por exemplo. Mas não é somente isso..
Seu guarda-chuva possui caseína!
A faca que o “Tião Medonho” usou pra matar o “Zôreia”...tem caseína!
O botão de sua camisa...tem caseína!

Vamos explicar melhor, a caseína além de ser usada na alimentação também possui propriedades que são úteis na indústria produtora de plásticos e adesivos, sendo assim, o cabo do seu guarda chuva e o punho da faca do Tião possuem caseína. Não pense agora que se você derreter os punhos das facas da cozinha de sua mãe e o cabo de seu guarda chuva estará obtendo uma caseína de alta biodisponibilidade e com grande teor protéico. Por favor, não faça isso! Isso é um aviso, pois já vimos - quase de tudo - sendo feito por atletas desesperados em busca de maior “octanagem” para melhora de performance. Não duvido de mais nada depois que vi um aluno meu comendo farelo e sal de gado para “dar uma inchada”!

Agora vamos dar uma olhada na tabela abaixo e conferir as frações protéicas no leite de vaca. Observe a concentração de whey e poderá ver a razão pela qual é necessário tanto leite para se produzir aquele bujão de whey que afunda o teto da geladeira de sua mãe.

Proteínas e frações de proteínas no Leite de Vaca

Proteína e fração de proteína

Concentração no leite (g/l)

 

 

Total

36

Caseína

29.5

aS1-Caseína

11.9

aS2-Caseína

3.1

b-Caseína

9.8

k-Caseína

3.5

g -Caseína

1.2

Whey Proteins

6.3

b-Lactoglobulina

3.2

a-Lactalbumina

1.2

Serum Albumina

0.4

Immunoglobulins

0.8

Proteose-Peptones

1.0

 

 

0

 

From Jensen, G. Handbook of Milk Composition. New York: Academic Press, 1995, p. 465.

As caseínas representam cerca de 80% do conteúdo protéico do leite. As principais frações de caseína são a alpha(s1) and alpha(s2)-caseins, ß -casein, and kappa-casein. Caseínas são proteínas conjugadas, onde o fósforo e o cálcio desempenham um papel importante nas estruturas que elas formam, chamadas “micelas”. Em resumo, é uma FOSFOPROTEÍNA do leite.

As propriedades químicas das caseínas fazem delas macronutrientes com comportamento bastante peculiar: caseínas têm pouca estabilidade estérica (estrutura terciária, no espaço), não têm pontes dissulfeto e contém um grande número de sítios hidrofóbios expostos. Isso dá a elas pouca solubilidade na água. É esta a característica que determina a formação de micelas, estruturas que unem muitas moléculas de proteína através de cálcio e fósforo coloidal e dão a elas solubilidade em meio aquoso, desde que o pH não seja ácido.
Existem vários modelos (sub-micelas formando micelas maiores, ou modelos de micelas em forma de espaguete) para estas macro-estruturas. Em todo caso, micelas são sensíveis a calor, acidificação e outros tratamentos, que coagulam a caseína. Seu ponto isoelétrico é 4.6, é o ponto de pH no qual ela precipita(coagulação ácida).


(tirada daqui)

Acredita-se que essas estruturas foram selecionadas ao longo da evolução para disponibilizar mais eficientemente os nutrientes aos mamíferos recém-nascidos: 90% do cálcio do leite está na forma coloidal, preso às micelas de caseína. Com esta estrutura, a caseína é rapidamente coagulada no estômago dos mamíferos, cujo ambiente é de pH bastante ácido. Tal efeito digestivo torna a disponibilização de minerais e peptídeos mais lenta e estável.
Os produtos de digestão de uma proteína são, inicialmente, peptídeos menores e, em última instância, aminoácidos. Uma das informações mais interessantes sobre tais sub-produtos diz respeito ao seu papel diretamente neuro-endócrino. Na linha de raciocínio segundo a qual o leite contém muito mais do que nutrientes, portando informação química da mãe para o filhote, peptídeos resultantes da quebra de caseína e lactalbumina foram investigados. Particularmente os sub-produtos de caseína (“beta-casomorphins”) se comportam como ligantes (agonistas) de receptores opióides, tendo, portanto, ação neurológica (Teschemacher H, et al 1997).
Além disso, todas as frações protéicas do leite, não apenas as do whey, mostraram ação biológica anti-cancerígena, anti-hipertensiva, anti-carieogênica, anti-microbiana e anti-inflamatória (Meisel 1997, Clare & Swaisgood 2000, Aimutis 2004).
O grande interesse clínico e esportivo nas formas purificadas das caseínas, especialmente quando sua forma micelar é preservada, é a lenta digestibilidade destas proteínas (Hall et al 2003). Esta propriedade permite explorar vantagens quando se deseja manter um perfil aminoacidico no sangue do paciente/atleta/indivíduo mais estável durante um período prolongado.
A aplicação esportiva desta propriedade é óbvia: enquanto as proteínas do whey oferecem a vantagem da rapidíssima absorção e digestibilidade, permitindo aproveitar a janela de oportunidade das condições hormonais agudas pós-treino favorecendo assim o ANABOLISMO, a caseína garante o fornecimento constante de substrato para o anabolismo celular favorecendo o ambiente ANTI CATABÓLICO favorável ao crescimento muscular. Atletas devem ser conhecedores de que em programas onde se objetiva o ganho de massa muscular é sempre ideal optar por estratégias preventivas de catabolismo protéico do que optar por estratégias promotoras de anabolismo dado o fato de que a tarefa de promover anabolismo é de extrema dificuldade para nosso organismo. Sendo assim, a caseína pode ser usada em horários estratégicos do seu dia para que você mantenha um amplo espectro de aminoácidos em circulação.

Forma de Uso Sugerida:

Dose 1:

Pela manhã logo ao levantar você deve tomar a primeira dose:
* 300-400ml de leite desnatado ou água (depende se você estiver em off ou p.c)
* 1 dose de Caseína Micelar (há alguns produtos, 2-3, disponíveis no Brasil )
* 1 colher de sopa de farinha de aveia (use a farinha e não flocos)
* 1 colherinha de chá de gérmen de trigo tostado (rico em octacosanol)
   Tomar juntamente 1 drágea de Complexo B ou 1 drágea de um multivitaminico
   Tome 200mcg de Picolinato de Cromo

Dose 2:  Pós treino

Adicione 1 scoop de caseína ao seu shake de whey

Dose 3:

Ao deitar, como preventivo / minimizador do catabolismo noturno:
* 300-400ml de leite desnatado (Se for atleta de basismo use o leite integral)
* 2 scoops de caseína micelar
* 1 scoop de whey protein

Dose 4:

* 1 scoop com 300ml água caso acorde na madrugada.

Lembrando que estas formas de uso dependem das condições financeiras de cada individuo devido ao fato deste suplemento ainda ser de difícil acesso (somente importados) em nosso país e também devido a este ainda apresentar preços muito altos para a realidade de todos os praticantes de esportes de força em nosso país.

Você pode obter uma boa fonte natural de caseína de alimentos como a Ricota e queijos magros em geral, sendo estes em menor quantidade.

CASEÍNA:

à Altamente ANTI-CATABÓLICA!
à Após sua ingestão continua promovendo efeito por mais de 7 horas!
à É a proteína “timed release” dos músculos!
à Melhora a função imune!
à Promove o crescimento muscular!
à B.V = 77   (Valor biológico).
à P.E.R= 2.5 (Eficiência de proteína).
à Provoca aumento de 31% de proteína após a ingestão de 43g.
à Promove maior liberação de IGF-1 que a soja.
à Inibe a perda óssea.
à A kapa-caseína contém GMPs que estimulam a liberação de CCK , inibidor do apetite
à Contém traços de agentes anti-viróticos (ácido siálico).
à Rica em Glutamina.

Nossa trilogia continuará!

Em breve:

SOJA - Proteína Para Todos (Será?)

Um grande abraço da Marília e do Jaka

www.academiabio.com.br
www.bodystuff.org

Referências bibliográficas

Teschemacher H, Koch G, Brantl V. 1997. Milk protein-derived opioid receptor ligands. Biopolymers. 43(2): 99-117.

Meisel H. 1997. Biochemical properties of regulatory peptides derived from milk proteins. Biopolymers.43(2):119-28.

Clare DA, Swaisgood H.E. 2000. Bioactive milk peptides: a prospectus. J Dairy Sci. Jun;83(6):1187-95.

Aimutis WR. 2004. Bioactive properties of milk proteins with particular focus on anticariogenesis. J Nutr. Apr;134(4):989S-95S.

Hall WL, Millward DJ, Long SJ, Morgan LM. 2003. Casein and whey exert different effects on plasma amino acid profiles, gastrointestinal hormone secretion and appetite. Br J Nutr. Feb;89(2):239-48.

Links legais:

http://www.foodsci.uoguelph.ca/dairyedu/chem.html
http://class.fst.ohio-state.edu/FST822/lectures/Cafunc.htm
http://www.milkfacts.info/Milk%20Composition/protein.htm


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