CAMPEONATO BRASILEIRO DA WABDL:

Dia Histórico para o Esporte Nacional com Gilberto Silva

Nos dias 15 e 16 foi realizado o Campeonato Brasileiro de Levantamento de peso WABDL (World Association of Benchers and Deadlifters - Assossiação Mundial de Levantadores de Peso Modalidades Supino e Terra). O dia ficará gravado na memória dos atletas e registrado na história do esporte nacional e sul-americano como a tão esperada quebra da barreira dos 300kg no supino. O responsável pela façanha foi Gilberto Silva, da Olimpuss, de Três Coroas, Rio Grande do Sul, que vinha se aproximando da marca através de um cuidadoso aprimoramento técnico, acompanhado de perto por todos os apreciadores do esporte de qualidade.

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A CORRIDA DOS 300

Nos países onde o supino e o PL são esportes tradicionais, existem marcas bastante altas nos três levantamentos. No supino, as marcas mais altas ficam por conta de Ryan Kennelly (USA), que fez 470,5 kg na categoria +140 kg (WPO), Gene Rychlak (USA) que fez 458,1 kg na categoria +140 kg (APF), Scott Mendelson (USA) que fez 457,5 kg na categoria +140 kg (APF) e Paul Meeker (USA) fez 427,5 kg na categoria +140 kg (APF). O Brasil, no entanto, é um país que sempre lutou com dificuldades nestes esportes, mantidos na marginalidade e sem apoio. Não há tradição, os poucos atletas que conseguem, a despeito de todas as dificuldades, evoluir, vão aos trancos e barrancos na base da tentativa e erro e num caminho praticamente auto-didata.
Ninguém havia executado a marca de 300kg em evento oficial até hoje no Continente Sul-Americano.
Um pequeno grupo de levantadores, no entanto, já se aproximava da marca: Gilberto Silva, Ricardo Nort (Florianópolis), Kleber Caramello (Brasília) e Avelino Jovanelli (Monte Alto, SP) eram as maiores esperanças do supino brasileiro. Os quatro vêm obtendo resultados regulares apontando para este objetivo. Confirmando as expectativas gerais (e principalmente do "oráculo do Powerlifting", Caramello...), Gilberto "cruzou" a barreira primeiro, abrindo a porteira, esperamos, para novos, maiores e mais técnicos supinos no país.
Ricardo Nort, de Florianópolis, outro grande atleta na rota dos 300kg, também estava presente no campeonato. Não foi o dia dele, no entanto: Nort não se sentiu bem durante a competição e teve problemas com o equipamento.
Aguardamos, pois, que Caramello, Jovanelli e Nort nos brindem com mais resultados, fechando 2007 com 4 X 300kg!

O SUL

Fui a Caxias do Sul para ver com meus próprios olhos aquilo que evidências e comentários indicavam: a densidade de talentos esportivos no powerlifting no Sul do país é, de fato, maior.
Neste campeonato brasileiro da WABDL, marcas acima de 200kg no supino foram corriqueiras, enquanto em São Paulo são raras e restritas a levantadores pesados.
Os levantamentos grandes que vi em Caxias não são necessariamente mais técnicos, pois, no Brasil, contam-se nos dedos os levantadores que conhecem e dominam métodos e técnicas. Estamos isolados e enfrentamos todo o tipo de dificuldade. Mas os levantadores são mais numerosos, mais experientes e há mais talentos, inegavelmente.
Considerando o tamanho deste "pool" de talentos, a proporção de mulheres é surpreendentemente pequena. Mesmo assim, talvez não por acaso, duas das três atletas atualmente consideras as melhores do país (Erica Batista, de Mogi Guaçu, Ana Rosa Castellain, de Blumenau e Fernanda Deporte, de Porto Alegre), duas estejam na região Sul.

WABDL-BRASIL

A WABDL (World Association of Benchers and Deadlifters) é presidida, na America do Sul, pelo professor Vilmar Oliveira. Vilmar tem um extenso currículo esportivo no powerlifting e esportes de força em geral, com inúmeros títulos regionais, nacionais e mundiais. Mas acima de tudo, Vilmar é um agregador: trazendo para o Brasil uma organização tradicional do powerlifting mundial, Vilmar criou uma "tradição WABDL", principalmente na região Sul. Cidades pequenas como Bagé, Pelotas ou Novo Hamburgo contam com inúmeros atletas de alto nível que, ano após ano, freqüentam os eventos da WABDL.
Vilmar conta com um grande número de atletas especiais (para-atletas) e também masters com quase 80 anos.
A WABDL no Brasil é uma organização inclusiva.
Inclusiva e hospitaleira, é tudo menos permissiva. Respeitando e honrando o supino técnico e de qualidade, abrindo espaço para a evolução de técnicas complexas como os arcos avantajados e encaixes baixos, a arbitragem é rigorosa, consistente e coerente com as regras internacionais da organização. Existe comando "press" na WABDL mundial – existe comando "press" no Brasil. O tempo para iniciar o movimento é de dois minutos. Dois minutos são 120 segundos, o que, considerando a organização do evento, foi confortável e suficiente. Sem julgar o mérito das regras, todas foram cumpridas.

O CAMPEONATO

O Brasileiro da WABDL foi realizado num Shopping Center, o Mart Center Shopping de Caxias do Sul. Extremamente confortável, contava com uma variada praça de alimentação ao lado do local do evento e um restaurante com refeição praticamente gratuita para os participantes. Não era um lanche: era churrasco, massas, arroz, feijão, salada e muito mais. Comida para atleta de força. Fora as guloseimas que todo atleta aprecia nessas ocasiões.
O aquecimento contava com dois bancos de supino de altura e medidas regulamentares.
Eu fui sozinha de São Paulo por motivos óbvios: a passagem mais barata saiu por 557 e ainda não temos patrocínio.
Tive o privilégio de ser assessoradas, orientada e ter minha barra passada pelo grande Gilberto Silva, mas o ambiente era amistoso e todos ajudaram. Aliás, minha camisa foi colocada por Gilberto e Nort: se eu errei foi por burrice minha, pois a energia de várias toneladas do melhor supino do país foram passadas para mim.
Não pude ficar para o domingo – dia do agachamento e do terra. Mas no sábado, todo o evento ocorreu precisamente dentro do horário.
A premiação foram troféus em forma de estátuas, idênticos aos da WABDL americana, de resina. Não levei 432 troféus, mas apenas um. Um, um certificado assinado pelo representante oficial, um ou mais recordes, um reconhecimento e registro nos anais da WABDL internacional e UM troféu de boa qualidade.
Será que Vilmar conseguirá implantar uma nova cultura onde a qualidade vale mais do que a quantidade? Tomara!
Foi um belo campeonato, todos se divertiram e levaram para casa realizações, boas lembranças, o carinho dos amigos e a vontade de voltar.

Vilmar Oliveira, Marilia Coutinho e Puma de Bagé Jane Morales, campeã e maior supino do campeonato (105kg), e Marilia Coutinho Vilmar Oliveira, presidente da WABDL para America do Sul Ricardo Nort, Fernanda Deporte e Gilberto Silva

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