LEVANTAMENTO BÁSICO OU POWERLIFTING

ENTREVISTAS

Os Ingredientes da Receita para uma Supercampeã: Talento, Genética, Paixão e Garra Cátia Portilho, Estrela Brasileira do Powerlifting.

A carioca Cátia Portilho, 40 anos, profissional de educação física e jornalista, venceu o campeonato Sul-Americano de Powerlifting dia 8 de Setembro como atleta absoluta e máster da categoria de 67,5kg, com as marcas de 135kg no agachamento, 85kg no supino e 162,5kg no levantamento terra. Sagrou-se, além disso, “melhor atleta” pela formula de Wilks, com um valor de 395,5. Cátia é um exemplo de perfeita combinação entre talento e biótipo, e uma enorme força interna que a fez superar barreiras e obstáculos. Essa força esperamos, a levará aos pódios internacionais como legítima representante do esporte brasileiro. Leia essa emocionante entrevista de Cátia ao Portal do Ferro.

(Marília – Portal do Ferro) – Gostaria que você falasse um pouco sobre a sua história esportiva, com o powerlifting e outros esportes: quando começou, o que mais o atraiu no powerlifting, e que outros esportes praticou.
(Cátia) - Sempre pratiquei esportes, inicialmente a natação, onde já ganhava algumas medalhas na competição intercolegial, depois foi o jazz e finalmente a musculação. Com 14 anos comecei a fazer musculação e larguei os outros esportes. O powerlifting entrou na minha vida 2 semanas antes da participação no meu 1ºcampeonato que foi no dia 16 de abril de 2005. Eu estava treinando na Xgym e o professor Luiz Hallier, que também é vice-presidente da CONBRAFA/RJ, chamou-me para participar. Disse que me achava muito forte e que provavelmente poderia ganhar. Não acreditei e não aceitei imediatamente, mas ele simplesmente não parava de tentar me convencer. Fizemos um teste de carga máxima, e um treino com ele na semana seguinte. Na outra já competi e ganhei. Logo depois tiveram os outros campeonatos que ele me incentivou e me treinou. Infelizmente ele saiu da Xgym e aí fiquei treinando sozinha, pois os meus horários não eram compatíveis com os dele, no Clube Militar. Conheci o Wolney (presidente da CONBRAFA/RJ), quando ele viu os resultados resolveu me treinar, eu aceitei é claro, pois ele é um ícone no esporte... Ele não é formado em Ed. Física, sua escola é o Powerlifting, então eu sou minha preparadora física e ele meu técnico. É uma pessoa maravilhosa, virou um pai para mim... Atualmente treino com ele 1 ou 2 vezes na semana( específicos), nos outros dias eu treino sozinha.

(M/PF) – Poderia citar seus títulos mais importantes no powerlifting?

(Cátia) - Em 2005: Campeã no campeonato realizado em parceria da X-GYM /FIB/CONBRAFA; campeã no carioca – Lifting in Rio FIB/CONBRAFA -recorde como melhor atleta no absoluto e maior índice de força; campeã no brasileiro FIB/CONBRAFA -recorde como melhor atleta no absoluto e maior índice de força; 3º lugar no campeonato brasileiro de levantamento terra em São Paulo (Ribeirão Pires) IPF – International Powerlifting Federation. Isto porque o peso escorregou da minha mão no encaixe. Queria morrer, pois era a maior pedida, e as outras concorrentes ganharam com um peso que era aquecimento para mim!! Em 2006: Campeã no Sul fluminense FIB/CONBRAFA – recorde como melhor atleta no absoluto; campeã no campeonato paulista de levantamento terra IPF – International Powerlifting Federation - recorde como melhor atleta no absoluto. Bicampeã no campeonato carioca de levantamentos básicos FIB/CONBRAFA - recorde como melhor atleta no absoluto; campeã no brasileiro de levantamentos básicos IPF – International Powerlifting Federation – campeonato seletivo para o sul-americano - recorde como melhor atleta no absoluto, Record brasileiro no levantamento da terra e na pontuação geral máster 1; campeã sul-americana 2006 no absoluto e máster 1 – IPF – melhor atleta máster 1.

(M/PF) – Onde você treina?
(Cátia) - Em três academias diferentes, de acordo com a minha disponibilidade e do meu técnico (Wolney Teixeira). No Clube de Regatas Boqueirão do Passeio – onde o Wolney tem mais disponibilidade, na Xgym e na Recreio Fitness, onde trabalho como Personal Trainer.

(M/PF) – Gostaria que você falasse um pouco sobre sua formação acadêmica e vida profissional, e sobre como você combina isso com sua carreira esportiva.

(Cátia) - Sempre tive vontade de estudar educação física, meu pai não deixou, aí fiz comunicação social. Formei-me em jornalismo. Continuei a estudar e só faltavam 5 matérias para fechar o curso de relações públicas, mas tive que parar a faculdade porque minha filha andava meio depressiva, pois eu estava em um período ruim, me separando do pai dela. Trabalhei com assessoria de imprensa, produção, edição de imagens, reportagens, direção de vídeos etc...Mas quando o trabalho foi atrapalhando os meus treinos eu vi que meu lugar não era ali. Separei do marido, fui estudar educação física e no 1º período já estagiava. Hoje sou coordenadora dessa academia onde estagiei. Estou muito feliz e o powerlifting tem sido uma mola para o meu crescimento pessoal e profissional. Estou fazendo na academia uma área voltada somente para o powerlifting, pois, com os meus feitos de atleta, muitos alunos estão se interessando pelo esporte.

(M/PF) – Como sua família vê sua carreira de atleta? Qual o envolvimento deles?
(Cátia) - Minha mãe é indiferente e acha que estou horrível de musculosa. Meu pai morreu num acidente de carro e nesse meu irmão ficou deficiente e suicidou-se depois... Mas eu tenho motivos para ser feliz, pois deus me compensou generosamente quando nasceu a Ana Carolina, minha filha, companheira, amiga, linda, orgulhosa da mãe e essa garra, disposição e energia que tenho para vencer os obstáculos e conquistar o meu espaço e minhas metas.

(M/PF) – Cátia, você é uma mulher muito bonita e admirada, tem uma filha mulher e feminilidade deve ser algo sobre o que você já pensou bastante. Você poderia comentar um pouco sobre a participação das mulheres em esportes de força e aqueles relacionados a muscularidade (powerlifting, levantamento olímpico, fisiculturismo, figure, etc)?

(Cátia) - Eu gosto de ser feminina: adoro unhas compridas, mini-saias, perfume francês (Gaultier2), batom, jóias, etc...Às vezes tenho dificuldades de comprar roupas e fico irritada com tantos músculos, pois o meu biótipo mesomorfo responde com muita intensidade ao treinamento de força: é difícil comprar roupas e tem umas que me deixam parecidas com travesti. Rs... Por outro lado eu também gosto de ter músculos, porém menos...Quando terminarem esses campeonatos de 2006 eu vou diminuir um pouco. Tem mulheres que não são assim, mas cada atleta é uma pessoa e todas têm o direito de ser como é, merecem respeito!! Quem somos nós para julgar? Tanto quanto no powerlifting, os outros esportes tipo levantamento olímpico, fisiculturismo, figure, etc...Cada um tem a sua especificidade, sua exigência e provoca diferentes adaptações e modificações no corpo da atleta. Ser atleta é só para quem pode, não é para quem quer, pois as renúncias são grandes e só se destaca quem tem disciplina, garra, genética específica para o esporte escolhido, etc...Se eu escolhesse ser uma corredora de maratona seria um fracasso. Rs...

(M/PF) – Você tem apoio de algum programa governamental ou patrocínio privado? Como você vê o apoio ao esporte amador e especialmente ao powerlifting no Brasil? (Cátia) - A Body Club/RJ me ajuda com alguns gastos, mas estou endividada por causa das viagens. Preciso de um patrocinador que cubra as despesas maiores e é bem difícil quando você está num esporte amador. Tenho campeonatos internacionais para participar e estou precisando de um patrocinador de nível internacional, para que seja relevante o seu investimento.

(M/PF) – Você mencionou as dificuldades que
se enfrenta num esporte amador. Como você vê os problemas da visibilidade nesses esportes e a negligência da imprensa e do governo?
(Cátia) - Acredito que isso está mudando, pois a própria imprensa tem me procurado para dar entrevistas. Talvez porque eu seja mulher e esteja me destacando num esporte bem masculino. O fato é que por ser um esporte amador a imprensa pode não ter o interesse de documentar, mas cabe aos atletas e dirigentes do esporte buscar esse espaço. É isso que tenho feito. Tenho ajudado o Wolney na divulgação dos campeonatos. Temos conseguido cobertura da TVE. O programa ESTADIUM já fez duas matérias sobre o powerlifting. A RECORD, e a MULTIRIO nos procuraram há 2 semanas: gravaram nosso treinamento, demos entrevistas, etc... No mês de novembro eu serei a capa de uma nova revista sobre treinamento de força e a foto será agachando. Eles vão fazer um pingue-pongue na parte interna da revista. Estou fazendo a minha parte no esporte e, se depender de mim, ele vai crescer e aparecer muito.

(M/PF) – Você disse que você é sua própria preparadora esportiva, complementando o trabalho do seu técnico. Você poderia contar para nós como programa essa atividade, o que acha dos exercícios auxiliares e como isso deve ser combinado ao treinamento dos levantamentos propriamente dito?
(Cátia) - Toda preparação desportiva deve ser feita em cima de uma periodização visando às datas das competições. No início foi bagunça, mas agora eu faço a minha periodização:

FASE BÁSICA: exercícios específicos, auxiliares (são bastante utilizados) e resistência anaeróbia. Predomina o volume sobre a intensidade, isto é, um maior nº de repetições visando a RML (resistência muscular localizada). A ênfase é na preparação física.

FASE DE PREPARAÇÃO ESPECÍFICA: predomina a intensidade sobre o volume, isto é, diminui-se o nº de repetições e aumentam-se as cargas. A ênfase é no aperfeiçoamento da técnica.

FASE DE COMPETIÇÃO: O objetivo é obter a performance máxima. Para isso a ênfase é na qualidade do treinamento em detrimento da quantidade. Os exercícios são específicos, simulando os campeonatos. Duas semanas antes da competição faço os testes de carga máxima. Na semana seguinte diminuo as cargas em +/- 60% e treino só os movimentos e momentos de comando do árbitro.

(M/PF) – Gostaria que você falasse um pouco sobre sua alimentação. Você mudou sua dieta de acordo com seu novo treino para powerlifting? O que você acha que existe de específico na dieta para o treino voltado para performance em força?
(Cátia) - Tive que aumentar o meu aporte calórico em carboidratos, proteínas e vitaminas. Sou orientada por uma nutricionista e endocrinologista. Como não tenho muito tempo disponível e às vezes nem consigo almoçar ela prescreveu uma alimentação de acordo com meus horários. Faço uso de proteinato de cálcio, BCAA e um polivitamínico chamado vitergan máster. A creatina eu uso às vezes, mas ela não gosta.

(M/PF) – Um assunto delicado e controverso: esteróides. Qual é a sua opinião sobre: a. a disseminação do uso de esteróides entre atletas e não-atletas; b. o combate ao doping pelo Comitê Olímpico Internacional e as exigências feitas ao powerlifting.
(Cátia) - O Comitê Olímpico Internacional faz exigências para vários outros esportes, não é só para o Powerlifting. A questão é: como queremos mostrar a nossa performance para o mundo?

(M/PF) – Finalmente, quais são seus principais objetivos e sonhos no powerlifting?
(Cátia) - Ser campeã Mundial!!!!!!!!!!!!!

Um FORTE abraço!
Profª e atleta Cátia Portilho CREF1 15.534 G/RJ.

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