STRONGMAN

ENTREVISTAS

Helio Rolim

Com 102 quilos e 1,75m, a figura de Hélio Rolim chama a atenção por onde passa. A associação com a prática de algum esporte de força é evidente, mas poucos saberiam dizer que a modalidade que o consagrou como atleta foi o Strongman.
Morador da Caçapava, no Vale do Paraíba, o paulistano de nascimento treina na Bulls Gym e deu um tempinho entre o trabalho, como faturista, e nos treinos, para conversar com o Portal do Ferro.
Hélio fala sobre a modalidade, dá dicas de treino e revela os suplementos de que mais gosta. Confira o bate-papo com o campeão.


(Marília – Portal do Ferro) – Helio, gostaríamos de saber como você chegou até o Strongman e se antes praticou algum outro esporte. Conte um pouco da sua trajetória esportiva e títulos obtidos.
(Helio Rolim) - Iniciei os meus treinos em outubro de 2001. Era um treino mais leve e descontraído, não levava tão a sério. Em Fevereiro de 2002, mudei de academia e de visão sobre a musculação. Comecei a treinar com mais freqüência e este foi o ano em que assisti o primeiro campeonato de supino que foi realizado pela IPF (International Powerlifting Federation, representada no Brasil pela Confederação Brasileira de Levantamentos Básicos) em Caçapava. Lembro-me que o Eric Oishi participou deste evento. Fui pegando mais gosto pelos treinos e tal.. Em 2003 iniciei a minha primeira competição de supino (interno) numa academia da cidade (foi a primeira realizada na cidade). Fiquei em 3º lugar na minha categoria até 80kgs. Em 2004, nova competição local onde mais atletas participaram, pois já era o segundo ano competitivo. Fiquei em 4º também na categoria até 90kgs. Em 2005 participei de mais uma em Caraguatatuba, categoria até 110kgs (ele tinha 105kgs). Desta, participaram atletas do Litoral Norte de São Paulo (Caraguatatuba, Ubatuba e São Sebastião). Peguei o 3º lugar. Neste mesmo ano teve outra em Caçapava. Eu estava na mesma categoria e vieram participantes de outras cidades como São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Aparecida, Guaratinguetá e Litoral Norte. Nesta época, eu estava em dieta e competi no supino estando com 97kgs. Competi também no Strongman (primeira competição). Eu já havia tentado no final de novembro de 2004 levantar a traseira de uma S10 cabine estendida (foi um desafio de strongman). Nesta da qual participei, eu consegui ficar me 4º Lugar levantando e sustentando uma Ford Courier - confesso que me superei, pois estava em dieta onde eu já havia perdido 11kgs até a prova. Já em 2006, eu estava um pouco mais preparado e participei da competição de strongman e supino. Puxei o caminhão (muito pesado isto), participei do supino categoria até 100kgs. E de novo sustentei o opala onde peguei a colocação geral no strongman (as duas provas) em 4º colocado e 3º no supino.

(M/PF) – O Strongman é pouco conhecido entre leigos e acaba sendo um pouco caricaturizado pela mídia. Como você descreveria este esporte para um leigo e quais seus principais atrativos e desafios?

(Helio Rolim) - É um esporte onde não só é exigido força mas também técnica e um bom preparo de resistência. O pulmão tem que estar em dia (risos). A mídia, no lugar de esclarecer, prefere caricaturar e se fechar no mundinho dos esportes mais conhecidos como futebol, vôlei, basquete entre outros. Um dos principais atrativos é o lance que se tem em todos os esportes de força de estar sempre se superando, seja em peso levantado ou em velocidade. No strongman é ainda diferente, pois até os leigos em esportes de força (que não tem conhecimento com anilhas) ficam impressionados por exemplo vendo um ser humano ter força para conseguir puxar um caminhão.

(M/PF) – As competições de SM não têm necessariamente os mesmos eventos como o powerlifting ou olímpico, por exemplo. Como se “monta” uma estratégia competitiva? Fale um pouco sobre “o dia da competição”.
(Helio Rolim) - Bem, no meu caso, vou vendo, ao longo dos treinos, em qual modalidade eu me destaco melhor e me concentro com mais forças para me superar ainda mais e procurar deixar os adversários mais distantes. Por exemplo, no caso do levantamento de carro, o que acontece se for para fazer repetições do levantamento é que além da força que se exige para levantar, também se exige um tipo de resistência para realizar os movimentos. Já o de sustentação por tempo exige resistência de outra forma. Aí vejo onde eu me destaco melhor e procuro aproveitar ao máximo. Mas não deixo de me dedicar às outras também.

(M/PF) – Ainda sobre competições: como se organiza uma competição de SM? Como se escolhem os equipamentos a serem utilizados?
(Helio Rolim) - Sou iniciante, mas procuro acompanhar o trabalho dos organizadores para poder aprender e o que vejo é o seguinte: são separadas as provas por tempo, onde, em algumas delas, quanto mais rápido for o atleta, melhor o resultado. Tem outras em que quanto mais tempo for a performance do atleta melhor. Daí é feita a pontuação, os equipamentos são escolhidos da maneira mais simples possível, como por exemplo a “caminhada do fazendeiro”, onde o atleta carrega por uma distancia determinada dois cilindros com alças adaptadas para fazer a pegada. Quem fizer em menor tempo é o melhor. Daí da uma aparência bem interessante aos olhos do publico.

(M/PF) – Como é a “política esportiva” em SM? Como são as organizações, federações, academias, etc., e como elas interagem?
(Helio Rolim) - Tenho pouco conhecimento sobre as Organizações, Federações. A academia está interagindo e deixando a nosso dispor os equipamentos em perfeito estado para podermos realizar os treinamentos mesmo em dias em que ela não está em funcionamento. É basicamente isto. O restante é dedicação, sangue e suor.

(M/PF) – A maior parte dos esportes de força é relativamente pouco conhecida e marginalizada no Brasil. Como você vê especificamente o Strongman nesse contexto? Que chances você vê para seus atletas no Brasil hoje? Você acha que o esporte tem chance de crescer e, se acha, onde?
(Helio Rolim) - Com certeza, é muito pouco conhecida e este é um dos motivos que ajuda a ser marginalizada aqui no Brasil. Isso até impede um crescimento ainda maior. Hoje vemos que o strongman já é mais divulgado do que há 4 ou 5 anos, devido ao acesso da mídia, internet, dos canais de televisão (espn, sportv) onde são mostradas as competições dos gringos. O Brasil ainda está engatinhando com relação ao strongman e tem muitos passos a andar para poder crescer, pois aqui, quando olhamos para frente e falamos de strongman, a maioria das pessoas lembram sempre do Jair Gomes. O Brasil precisa conhecer vários outros nomes e conhecerá. O acesso à informação nos auxilia no desenvolvimento, como por exemplo no YouTube, onde se encontram vários vídeos de competição. No Brasil, acredito muito que no Rio de Janeiro, no Sul do país e nas cidades litorâneas de São Paulo já se vê mais atletas de strongman, que agora esta se expandindo para o interior do estado.

(M/PF) – Como é o seu treinamento? Como você chegou até ele? Você poderia falar um pouco sobre os sistemas de treinamento em SM?
(Helio Rolim) - O treinamento é um pouco diferenciado visto que temos que de vez em quando - aproximadamente umas duas a três vezes por mês - treinar com os equipamentos da própria competição. Mas a base são os exercícios de musculação como, por exemplo, os exercícios básicos, supino, agachamento, terra, press, rosca direta, tríceps supinado. Damos mais ênfase a estes exercícios, mas não descartamos outros, pois em uma competição utilizamos a força do corpo inteiro. Fui montando meu treino aos poucos, trocando uma idéia com o Vitor Barreto sobre treinos, força de pegadas, busquei bastante coisa nos treino dos gringos fui me adaptando e adaptando o treino de acordo com os meus horários. É um sistema que exige muita força de explosão e força de resistência, então eu faço uma periodização no treino tendo em vista melhorar nas duas formas (explosão e resistência). A minha periodização gera em torno de duas a 3 semanas, alterando alguns exercícios (Básicos), até mesclando entre eles os auxiliares e não se esquecendo dos exercícios aeróbios para poder ter um bom pulmão.

(M/PF) – Uma dúvida que sempre ocorre a quem não conhece muito o SM é como se compõe as rotinas de treinamento, já que os eventos de uma competição requerem muitas capacidades funcionais além da força máxima em determinado grupo articular. Como você definiria o “atleta ideal” de SM?
(Helio Rolim) - É composta primeiramente pelos exercícios básicos, depois os auxiliares, utiliza-se muito o Terra e o Agachamento por serem exercícios de extrema força onde se usa muito na grande maioria das provas de strongman. Para mim um atleta ideal de strongman seriam estes: Mariusz Pudzianowski, Magnus Samuelsson e Jesse Marunde. São de muita força e técnica.

(M/PF) – Como é sua alimentação e suplementação?
(Helio Rolim) - É de muita comida (risos). Tenho tendência a ganhar peso, por este motivo tenho que comer a cada 2, 3 horas. Geralmente eu faço um pouco de restrição ao açúcar, procuro evitar a gordura mas não me prendo muito a isto. Quanto à suplementação, eu não uso de muitos suplementos pois estou sempre comendo. Mas eu utilizo uma maltodextrina, gosto do proteinato de cálcio junto com o Whey Protein - faço uma gororoba que só eu tomo risos - e Quinua real. Na época de competição eu acrescento creatina e no meio da noite umas colheradas de amino liquido ajudam bem.

(M/PF) – Fazemos sempre essa pergunta com a ressalva de que o Portal é estritamente neutro em relação ao assunto: qual é sua opinião sobre o uso de esteróides no esporte e sobre a postura e atitudes do Comitê Olímpico a respeito?
(Helio Rolim) - O uso de esteróides no esporte é algo injusto, pois aqueles que o fazem tem uma performance muito mais favorável. Eu condeno, pois isso torna uma disputa desigual. Já competi contra atletas “Turbinados” e entre alguns deles até peguei uma colocação melhor. Mas outros não, me senti injustiçado, mas feliz por conseguir o resultado com os meus próprios méritos. O COI tem que punir mesmo e assim promover a igualdade nas competições.

(M/PF) – Quais são seus principais objetivos para o futuro no Strong?
(Helio Rolim) - Me aperfeiçoar, treinar, aprender, conseguir resultados mais expressivos e quem sabe um dia representar a minha cidade, o meu estado ou ainda o meu país.

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