LEVANTAMENTO BÁSICO OU POWERLIFTING

ENTREVISTAS

Kellen Larissa de Souza tem 14 anos. Como toda menina nessa idade ela também tem seus ídolos e os hábitos normais dos adolescentes. Mas as comparações param por aí. Filha de um dos maiores atletas do Powerlifting do Brasil, ela sabe muito bem conviver com a fama do pai. Mendinho, que dispensa apresentações, é também o treinador da jovem.
Lála, como é carinhosamente chamada, surge como uma das grandes revelações e promessas ao mesmo tempo no mundo do Powerlifting. Ela fez sua estréia oficial em competições vencendo. Compete na categoria acima dos 90 kg e treina com o pai na Academia Jefferson Bad Boy, em Ribeirão Preto. Conheça um pouco mais sobre a rotina dessa nova jóia do esporte de força no Brasil.

Por Marília Coutinho

(Marília – Portal do Ferro) – Larissa, se você tivesse que resumir em uma frase o que significa o Powerlifting para você, qual seria ela??
(Larissa) - Um esporte sem enganação onde o aspecto mais importante é a dedicação!

(M/PF) – Desde quando você treina? Quando você fez um “levantamento” mesmo, com barra olímpica, pela primeira vez (aquele dia só com barra, mesmo, você lembra?)
(Larissa) - Desde pequena meu pai procurou me colocar para fazer varias atividades físicas. Comecei a treinar acho que com uns 12 anos, sempre fazendo um treinamento leve. Comecei a treinar para competir mesmo esse ano, no mês de janeiro, com 14 anos.
Lembro quando fiz o primeiro agachamento da minha vida com a barra olímpica. Tinha 11 anos, tinha ficado super feliz e animada porque tinha conseguido agachar com 40kg. Acho que o Powerlifting já estava no sangue.

(M/PF) – Fale um pouco sobre como foi a sua infância convivendo no ambiente do Powerlifting. Qual é sua lembrança mais antiga (de quando você era bem pequenininha mesmo) sobre o esporte? Você lembra o que passou pela sua cabeça? Como foi crescer no meio dos pesos?
(Larissa) - Minha infância foi diferente de uma criança qualquer! Sempre brincando, me divertindo, mas não gostava muito disso. O que eu gostava de verdade era praticar esportes. Minha lembrança mais antiga é de quando eu pequenininha acompanhava meus pais nas competições e gritava tanto para eles quando estavam competindo. O que passava na minha cabeça era: “ Não vejo a hora de eu estar no tablado! Poxa, porque eu não faço 14 anos logo?”. Lembro também de uma vez quando pedi um presente de natal surpreendente para meu pai, em vez de pedir bonecas, brinquedos como as outras crianças eu pedi um macaquinho. Vê se pode! Fui crescendo e sempre esperando os demorados 14 anos, sempre na academia acompanhando pessoas de nossa equipe, sempre lendo o livro de regras, afinal, o Powerlifting era mesmo o que eu queria em minha vida.

(M/PF) –Como foi a emoção da estréia para você? Você ficou nervosa? E depois? Quais foram as sensações?
(Larissa) - A emoção não tem explicação. Principalmente a emoção de ter visto tantas pessoas gritando e torcendo por mim em cada movimento. Achei que iria ficar nervosa, e que a adrenalina tomaria conta de mim, mas foi totalmente ao contrário! Fiquei calma e durante a concentração eu pensava: É como o treino na academia, é só eu ir lá e fazer um movimento com aquele peso, tenho que realizar o movimento na regra e também tenho que ficar calma, pois a única coisa diferente é que tem três árbitros analisando e julgando meus nove movimentos. As sensações? Sem explicação. É uma sensação muito boa você no primeiro campeonato quebrar dois recordes . É uma sensação muito boa você receber elogios de até pessoas que você nunca viu!

(M/PF) – Você vem de uma família de atletas. Fale um pouco sobre eles (seus pais).
(Larissa) - Meus pais? Sem explicações! Meu pai para mim é tudo! Sem ele minha vida não seria a mesma. Tenho ele como um dos maiores exemplos de grandes atletas e também “O MEU HERÓI”, meu maior orgulho. Ele tem um pouco do que todos os pais tem, aquele ciúmes, aquela preocupação de como estou na escola e como estou de saúde. Muito raramente é aquele pai durão, meu pai é meu melhor amigo, sempre posso contar com ele, no que for. Temos uma relação diferente de pai e filha, pois filha sempre tem aquilo: Eu tenho vergonha de contar as coisas para meu pai, eu tenho medo do meu pai, eu nem converso direito com meu pai. Eu não , meu pai é aquela pessoa que eu sempre converso e desabafo quando eu mais preciso. A Judy? Tenho ela como uma mãe de verdade! Independente de sempre ter aqueles negócios de pegar no pé e tal, a gente se da muito bem! Sempre está ali do meu lado quando eu mais preciso, sempre me apoiando e me guiando nos melhores caminhos. Admiro muito ela, pois sua dedicação ao esporte que pratica, o fisiculturismo, é muito grande e surpreendente!

(M/PF) – Seu pai é um dos maiores atletas do país, do continente e um dos dez maiores do mundo. Como é isso para você?
(Larissa) - É maravilhoso, um orgulho muito grande! Não consigo explicar o quanto me sinto bem de meu pai ser tudo isso. Pois acompanho os treinos e as preparações de cada campeonato e vejo a enorme dedicação que ele tem por esse esporte. Por isso que penso e tenho a certeza que ele merece isso e muito mais!

(M/PF) –Como é ser treinada pelo próprio pai? Dá briga? Ou é melhor até? Fale um pouco sobre esse “treino em família”.
(Larissa) - Para mim é até melhor que meu pai seja meu treinador, pois criei uma confiança muito grande nele, e acredito que ele pode ter um tipo de participação na realização do meu sonho que é um dia tornar-me campeã mundial! Às vezes saem aquelas briguinhas, mas sei que se ele pega no meu pé, é porque ele quer o melhor de mim, e quer também que eu seja a melhor! Lembro até hoje, quando eu disse que eu queria mesmo treinar e competir powerlifting. O que ele me respondeu foi : “Eu vou te treinar com apenas uma condição, não questione o treino e o que eu te passar!” Na hora me lembrei do filme menina de ouro, quando o treinador de Maggie diz isso e ela, em momento algum questionou, e com isso foi se tornando cada vez melhor!


(M/PF) – Que outros esportes você acha legais?
(Larissa) - Vôlei, judô, basquete, ginástica olímpica, natação, levantamento olímpico, fisiculturismo e atletismo.

(M/PF) – Como é sua alimentação e suplementação?
(Larissa) - Minha alimentação é normal, procuro comer bastante proteínas e não consumir carboidrato a noite. Vou confessar uma coisa: Eu amo chocolate! Não uso suplementação meu pai até diz para eu tomar Whey Protein e maltodextrina, mas eu não gosto muito dessas coisas, vivo esquecendo de levar nos treinos. Então acabo não usando.

(M/PF) – Você hoje é talvez a maior esperança de medalha e performance no powerlifting brasileiro. Como você sente isso? É chato, você se sente pressionada ou leva numa boa?
(Larissa) - Levo numa boa, afinal sei que se criaram esperança em mim, é porque às vezes sou capaz e tenho potencial para isso. Me sentir pressionada é uma coisa muito rara, pois aprendi uma coisa com meu pai e o Jefferson Cuaglio ( Bad Boy): eu tenho que fazer as coisas para mim e não para os outros, se eu for agachar com 200kg , eu vou agachar para mim e não para os outros! Então levo isso comigo em cada treino e em cada movimento.

(M/PF) –Como seus colegas e amigos da mesma idade encaram sua vida de atleta? O que acham do powerlifting?
(Larissa) - Me surpreendi demais quando eu percebi o apoio que eles me dão. Pessoas da minha sala sempre me dizem uma coisa: “Você Kellen, pode contar com a gente no que for, e nós sentimos orgulho de você por ter somente 14 anos e fazer tudo isso que faz, treina, se dedica, se esforce que você vai longe, é só você querer!
Minhas amigas, às vezes me matam de rir, com as coisas que falam, tipo: “ Ei, quero morrer sua amiga, se um dia nós brigarmos lembra que eu te amo? rsrs”.
Então, me sinto bem com isso, me sinto estimulada e apoiada por pessoas que posso contar sempre no que for. Tenho apoio muito grande também de pessoas da academia de onde treino. De amigos meus que praticam outro esporte como o fisiculturismo e o judô. Só tenho a agradecer à todos eles!

(M/PF) – Essa é uma pergunta complicada para pessoas muito jovens, mas vamos lá: o que você mais quer nesse esporte, qual o seu maior sonho?
(Larissa) - O que eu mais quero e o meu maior sonho é fácil de responder, quero ser campeã e recordista mundial! Quero principalmente representar muito bem o nosso país no próximo ano (2009) no Campeonato Mundial que será realizado aqui no Brasil.Não gosto muito de falar sobre esse sonho, pois um dia eu falei e o que eu escutei foi: “Sonhe menos! Você está vivendo no mundo da lua ou no Mundo Mágico de Oz. Isso vai ser difícil e vai demorar se um dia você conseguir!”.
Fiquei calada e engoli a seco aquela frase, afinal se eu fosse falar algo, ia sair discussão e não seria bom para minha amizade com a pessoa. Sei que muitos duvidam que um dia eu chegue a esse ponto. Mas fazer o que? Cada um acredita no que quiser não é? E isso só faz que me dê mais vontade de treinar e no fim de uma forma calar a boca de todos que falam algo assim. rsrs

(M/PF) –- E a escola? O que você mais gosta de estudar? É cedo demais ou você já tem alguma idéia do que quer estudar na faculdade?
(Larissa) - Estudo em período integral das 7 às 15h40, então tenho que me dedicar bastante aos estudos, sempre tendo que dividir o tempo para a escola, as tarefas o estudo de provas e treinos. Gosto de estudar quase todas as matérias, mas a matéria que mais me identifico é informática e matemática. Não acho que ainda é cedo para pensar o que quero estudar para conseguir um bom futuro. Penso em fazer algum curso relacionado à Ciência Tecnológica, Ciência de designer, etc.

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