LEVANTAMENTO OLIMPÍCO

ENTREVISTAS

Leandro Maccari

Entrevista feita por: Marilia Coutinho

Leandro Maccari, nosso maior “pequeno grande” atleta do Powerlifting, com 1,58m e 60kg, é um dos basistas mais premiados no país e fora dele. Natural de Santo André, da equipe Gerson Doria, Leandro coleciona títulos brasileiros, Sul-americanos e já representou o Brasil em um campeonato mundial. Com uma grande experiência no esporte e uma visão crítica e equilibrada, Leandro partilha conosco suas histórias e opiniões. Confira o que pensa esse grande expoente brasileiro do Powerlifting.


(Portal do Ferro) – Maccari, conte para nós um pouco da sua história esportiva, como chegou ao Powerlifting e seus títulos mais importantes.
(Maccari) - Bom vamos la!!! Comecei no powerlifting por acaso, pois morava no interior, mais precisamente em Mogi Guaçu. Na época era jogador de futebol, do Mogi Mirim Futebol Clube. Até que uma infelicidade me tirou dos gramados: quebrei o tornozelo e tive que ficar afastado fazendo fisioterapia. Foi quando, dentro de uma academia conheci o professor Remi, campeão de fisiculturismo. Fiquei de 2 a 3 anos treinando hipertrofia e representando apenas o time da minha cidade, até que mudei para Santo André e fui apresentado para o reconhecido André Doria em 1996. Fui convidado por ele para participar de um campeonato de supino no Rosa Mística, onde conquistei o segundo lugar. Desta forma, redescobri um novo talento e uma nova paixão, me animei e aqui estou tirando o sono dos meus adversários.
Neste período de 10 anos dentro do powerlifting, vivenciei muitos atletas disputando por conquistas e quebras de recorde.
Em 1998, com as conquistas do paulista e do brasileiro, recebi um convite para integrar a seleção brasileira que iria para o mundial na Ucrânia, que para mim seria uma grande surpresa e muito orgulho. Com a ajuda do André Doria, Paulo Tritto e Julio Conrado, consegui superar todos os obstáculos possíveis, conquistando o 8º lugar dentro da minha categoria no mundial.
Nesses 10 anos (de 1996 a 2006), venho dando trabalho aos meus adversários e conquistando muitos títulos importantes e acima de tudo grandes amigos também. Já são 9 títulos paulistas, 9 títulos brasileiros, 1 sul-americano, 2 vices sul-americano, recordes paulistas e recordes brasileiro dentro do powerlifting .

(PF) – Conte um pouco da sua vida, sua paixão por atividade física, a escolha da profissão e como você vê a relação entre profissão e carreira esportiva.

(Maccari) - Minha vida, desde criança, sempre foi dentro dos esportes. Fiz de tudo um pouco (basquetebol, voleibol, caratê, natação, ciclismo, futsal, futebol, tênis de mesa, maratonista, etc). Quando mudei para Santo André, percebi que, na época de colégio gostava de ajudar os professores de educação física. Assim não tive saída e decidi cursar uma faculdade de educação física. Formado há 5 anos, venho desenvolvendo meu trabalho como educador físico, ministrando aulas e coordenando a área de musculação em academias, mas sempre buscando novos horizontes e novas metas.

(PF) – Como sua família vê sua carreira esportiva?
(Maccari) - Eles são meus fãs de carteirinha! No começo, minha mãe, principalmente, achava meio estranho esta modalidade esportiva. Não entendia o por que dos “tapões” e das cintadas nas costas. Achava que estavam querendo me atrapalhar, mas como passar do tempo e com as conquistas ela entendeu tudo. Eles me apóiam, me aconselham muito e lamentam a falta de apoio o incentivos de alguns meios de comunicações e de algumas empresas envolvidas, mas pensam que a modalidade esta evoluindo muito e já esta se tornando mais reconhecido.

(PF) – Como é a receptividade de outras pessoas e grupos em relação ao seu sucesso e conquistas? Você acha que através de você foi possível divulgar mais o esporte?
(Maccari) - No começo, quando digo e explico como funciona o Powerlifitng, ou até mesmo a quantidade de pesos que levantamos, é normal as pessoas se assustarem. Mas aos poucos elogiam a garra e a determinação dos atletas que o praticam, se surpreendem com o meu tamanho e peso corporal quando digo a quantidade de peso que levanto no Agachamento, Supino e no Levantamento Terra.
Em um contexto geral, é muito bom receber o reconhecimento quando você pratica um esporte que, além das dificuldades, se sobressai o amor e a dedicação por ele.
Desde que comecei, sempre lutei para divulgar mais o esporte em programas de televisão e jornais aqui do grande ABC. Mas o que repercutiu mais foi ser agraciado com o titulo “IMORTAL DO GRANDE ABC”, numa disputa entre outros grandes atletas renomados na região como EMPREENDEDOR ESPORTIVO, pela revista “Livre Mercado”, como um dos atletas que mais contribuíram para o esporte no ABC paulista. Junto ao meu nome foram imortalizados atletas como; Marilson dos Santos (Maratonista), Janeth Arcain (Basquetebol) e Hugo Hoyama (Tênis de Mesa), e me sinto muito orgulhoso em fazer parte deste seleto grupo de esportistas. Obrigado revista Livre Mercado.

(PF) – Como você vê o destino do Powerlifting no Brasil? Você acha que está crescendo ou não? Que mudanças você viu nesses 10 anos que está praticando o esporte?
(Maccari) - Esse assunto e muito sério, pois o que eu poderei descrever aqui pode causar muito descontentamento...
Bom, o powerlifitng só tem a crescer no Brasil ainda mais depois do 3º lugar do Luciano Duarte no mundial e também com a ajuda do governo com a Bolsa Atleta. São fatores importantíssimos para o desenvolvimento nacional. Por outro lado, nesses 10 anos de carreira, vi várias mudanças e também diversos dirigentes, cada um querendo levar o powerlifting à sua maneira. Vejo também que falta um pouco de união entre todos, mas acredito que, solucionado algumas destas questões, em pouco tempo o powerlifting estará marcando presença e estará no seu devido lugar dentro do esporte nacional.

(PF) – E no mundo? O que você acha do “sonho olímpico”?
(Maccari) - No mundo já não sei te dizer, pois estou fora de um mundial há algum tempo. Mas sobre o Sonho Olímpico já não era a tempo da IPF tentar colocar o powerlifitng numa Olimpíada, assim valorizaria muito mais o esporte mundialmente e atrairia a mídia, alem de tornar o esporte muito mais conhecido. Vamos ficar na torcida para que se realize esse sonho. E qual e o atleta que não sonha um dia participar de uma Olimpíada? É o ponto maior de um atleta.

(PF) – Quais foram os momentos mais emocionantes, ou estranhos, ou engraçados que você viveu no Powerlifting?
(Maccari) - Nossa são tantos! Quando comecei a competir tinha uma turma que ficava nos alojamentos e aprontávamos muito. Como era um novato, sempre dançava, com as minhas malas e roupas sendo jogada na piscina, ou as roupas eram amarradas.
Teve um brasileiro em Blumenau em que fiquei no alojamento junto de uma turma muito animada. No sábado à noite estava assistindo tv com o amigo Jair Querino. Quando olho pro lado ele estava dormindo e roncando, foi muito gozado - depois ficamos a noite toda rindo.
Outro momento foi no mundial na Ucrânia, onde a linguagem era feita por mímicas. Passei por um apuro, pois lá os ucranianos ofereceram um jantar pra equipe brasileira e tinha que comer e beber o que eles ofereciam, tinha que tomar whisky, me lembro até hoje: estava sentado do lado do Paulo Tritto e de um vaso. Então o que fazia: pegava o copo cheio com ele e esvaziava no vaso.
No dia a dia na cidade de Cherkasy era só risadas pois numa temperatura muito baixa a turma só escorregava na neve e dava pra fazer guerrinha de bola de neve... saudades daquele ano..

(PF) – Como é sua alimentação e suplementação?
(Maccari) - Minha alimentação tento fazer o possível para ser bem balanceada, como arroz, feijão, peito de frango, carne vermelha, massas (pizza, nhoque, lasanha, panqueca) e, de sobremesa, frutas e de vez em quando chocolate. Ultimamente estou me suplementando com Creatina, BCAA, CLA, Glutamina e Whey Protein, em semana de competição minha base e feita de proteína.

(PF) – Como é seu treino e onde você treina? Pode contar um pouco sobre sua equipe?
(Maccari) - Treino na Academia Gerson Doria deste 1996, sendo treinado por André Doria, conseguindo assim resultados expressivo. Depois fiquei 3 anos na Nautilus treinando sozinho e em 2004 no Equador conversando com o André voltei pra academia dele.
Meu treino e tradicional 2x1x2x2, ou seja, dois treinos, um descanso, dois treinos e dois descansos com peito, perna, peito, costa sendo orientado pela professora e treinadora de powerlifting Claudia Nagata.

(PF) – Quais são seus maiores sonhos para o futuro?
(Maccari) - Representar novamente o Brasil no mundial, assim como fiz em 1998, na Ucrânia, ficar entre os 5 melhores dentro da minha categoria e o mais importante pra mim é ver meus filhos e sobrinhos conquistando medalhas no powerlifitng e dando muito orgulho no futuro para mim e para o Brasil.

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